21/11/2016

Decisões, decisões, decisões / Decisions, decisions, decisions

PT (Skip to English)
13 de Outubro. Precisamente um mês, uma semana e um dia desde o meu último post. Finalmente perdi a vergonha, a amargura e o medo e vim postar.


A mudança de Londres para Lisboa fez-me questionar a continuidade e o objetivo do blog:

  • Como vou fotografar sem a minha máquina?
  • E os meus utensílios ficaram em Londres, como posso cozinhar?
  • Sem a food scene de Londres não vou ter inspiração!
  • Só tenho um prato fundo e tem um padrão, é suposto tirar todas as fotos com o mesmo prato?
  • E em relação a todas as coisas que não sei: design gráfico, fotografia de comida, SEO?
  • Sou vegan? Devo deixar de comer peixe? E os lacticínios? É possível viver sem queijo?
  • Qual é o meu objetivo com isto tudo? Para quem estou a escrever?
  • Vale a pena?

Não vou mentir, não foram dias bonitos. Claro que houve algumas horas de yoga e de contemplação no jardim, mas uma grande parte foram maratonas de John Oliver e Modern Family em pijama, a comer demasiados frutos secos e a revirar a despensa à procura de chocolate, enquanto questionava todas as decisões da minha vida.

Como a minha gata, Mrs. Murphy, consegue graciosamente demonstrar:


Até que um dia fui ao yoga e passei num mercado biológico, que acontece semanalmente em Setúbal. Rodeada de couves, fruta, ervas aromáticas e todo o tipo de vegetais comecei-me a sentir melhor, mas o que fez a diferença foi o sorriso que clientes e vendedores tinham na cara, o zum-zum das conversas, os conselhos sobre como usar determinado vegetal, os pedidos e os planos para a semana seguinte. Esta gente tem uma comunidade e todas as semanas se reúnem naquele jardim. Que maravilhoso, como isso me deixou feliz!

Há poucos meses, quando comecei o Verde à Mesa, decidi que seria exclusivamente à cerca de comida. “É nisto que me quero focar”, pensei eu. Queria que fosse o mais contido possível, eu não me expunha e em contrapartida evitava qualquer julgamento. Simples.

O problema é que cozinhar não é asséptico (figurativamente, eu lavo às mãos ok?). Cozinhar pede caos, envolvimento, entrega. Traz certos sentimentos à flor da pele, manda outros dar uma volta. Cria novas vivências, enquanto nos traz à memória experiências do passado. E é infinitamente melhor quando partilhamos com os outros.

Acredito que temos que dar para receber e eu percebi que, para fazer parte desta maravilhosa comunidade que ama o que eu amo, eu tenho que me entregar.

E aqui estou eu (demasiado lamechas?). Isto significa que:
  1. Vou partilhar um pouco mais de mim e das minhas paixões. Não só a comida, mas a minha senda por um estilo de vida mais saudável e quiçá uma ou outra opinião sobre ~certos e determinados assuntos~. 
  2. Vou testar uma versão em inglês para me manter ligada à minha comunidade em Londres e a outras por esse mundo fora.
  3. Vou continuar a mudar e a melhorar o blog conforme for aprendendo coisas novas e consoante o vosso feedback, por isso estou de olhos abertos para os vossos comentários e emails. Disparem!

Sabe bem voltar a escrever.

EN
13th of October. Precisely one month, one week and one day since my last post. I’ve finally gotten rid of the shame, the bitterness and the fear and wrote another one.

Moving back home to Lisbon from London made me question the continuity and the goal of this blog:

  • How am I going to take pictures of the food without my camera?
  • What about all the cooking stuff that stayed there, how can I even cook?
  • I’m not going to have any inspiration without the London food scene;
  • I literally have one big plate and it has a pattern, am I supposed to always use the same plate in every picture?
  • What about all the things I don’t know: graphic design, food fotography, SEO?
  • Am I vegan now? Should I stop eating fish? What about dairy? Is it even possible to live without cheese?
  • What’s the point of all of this? Who am I writing for?
  • Is it worth it?

I’m not gonna lie, it wasn’t pretty. Sure there some hours of yoga and contemplation in the garden, but most of days consisted of John Oliver and Modern Family marathons, in my pyjamas, binge eating nuts and scouring the cupboards for chocolate while questioning all the decisions I’ve ever made.

As my cat, Mrs. Murphy, graciously demonstrates:



And then one day, coming from my yoga class, I went to an organic market. Surrounded by cabbages, fruit, herbs and all sorts of veggies, I started feeling better, but what really made the difference was the smile both farmers and customers had on their faces, the hubbub of parallel conversations, people giving advice on how to use a vegetable, the requests and the plans for next week. I realised these people had formed a community and they met every week in that garden. How wonderful, it just made me so happy!

A few months ago, when I started Verde, I decided it would be exclusively about the food. “This is what I’m going to focus on”, I thought. I wanted it to be as contained as possible; by not exposing myself I would avoid any judgement. Easy.

The problem is that cooking is not aseptic (not literally, I wash my hands ok?). Cooking demands chaos, engagement, surrender. It makes you feel stuff; it makes you not feel stuff. It provides you with new experiences, while reliving the past. And it’s infinitely better when you can share it with others.

I believe we have to give in order to take and I’ve come to understand that to be a part of this amazing community that loves what I love, I have to surrender.

So here I am (too cheesy?). This means that:

  1. I’ll be sharing a bit more about me and my passions. Not just food, but also my quest for a healthier lifestyle and mayhaps my opinion on ~stuff~.
  2. I’ll trial writing the posts in English too and translate previous posts so I can stay connected to my community in London and others around the world. Shoutout to my peepz.
  3. I’ll keep adjusting and improving the blog as I learn new things and according to your feedback, so I’ll keep my eyes peeled for comments and emails. Shoot!

It feels good to be writing again.

Mariana.